Aula 03

OS RÓTULOS ENGANADORES E OS BICHOS-PAPÃOS 

Antes dos bichos-pápões, vamos ver alguns rótulos enganadores, que podem propiciar "gafes" literárias e épicas homéricas. 1) O poema-piada não tem a intenção de ser uma anedota para fazer gargalhar quem o ouve; sua meta é propiciar uma crítica bem-humorada de atitudes e comportamentos humanos. 2) Poema-perfil: Nem todos os poemas escritos em primeira pessoa são autobiográficos ou se referem à vida pessoal do autor. Por exemplo: Álvaro de Campos (Fernando Pessoa), em "Poema em linha recta", não fala da vida dele, que, no caso inclusive é um heterônimo fictício; mas sim da imagem hipócrita  construída em versão tão diferente da realidade individual por parte de quem posar de um super-homem perfeito.  3) Poema social, não é apenas o que fala de fome e exploração das massas operárias; todos os assuntos, mesmo amor e sexualidade, são temas inseridos no contexto social em que vivemos e no qual atuamos; 4) Poesia marginal não é poesia de marginais; é uma das muitas vertentes da poesia dos anos 70, a mais combativa e desobediente em sua época; e também não morreu com a redemocratização, está viva até hoje c continua enfocando os diversos tipos de repressão em tempos atuais de vigilância líquida;  5) Ócio criativo não se confunde com entretenimentos vazios. O sociólogo Domenico De Masi o conceitua como sendo a intersecção entre o trabalho, o lazer e o estudo. 5) Sempre que se falar na teoria da in-utilidade da poesia, devemos fazer o gesto das aspas com as mãos, ou dar um breve espaço entre o in e a palavra seguinte, a fim de que não soe como uma única palavra, com efeito significativo contrário ao que se deseja enfatizar.  

Depois dessas breves dicas, agora sim, vamos aos impasses que muitas vezes perseguem os poetas em algum momento, por mais experientes que sejam: 

1 - Tenho vontade de escrever, mas não tenho tido ideias.


2 - Meu poema está confuso. 


3 - Meus poemas são ótimos, mas meus títulos são péssimos. Não sei dar títulos


4 – Intitular e começar eu sei, só não sei finalizar.

Igual ao título, pense em surpreender o leitor, em algo inusitado, em alguma associação, mesmo que distante, mas que leve o leitor a compreender melhor ao final da leitura o sentido do poema,.  O desfecho é tão importante, que, em soneto, fala-se em fechá-lo com chave de outro – porque é o final que faz, como disse anteriormente, com que o leitor aplauda ou rapidamente esqueça o que leu. Pessoalmente gosto dos finais impactantes, porque, minha poesia caminha por esta trilha. Mas não precisa ser bombástico. Precisa ser é criativo. “Pois só quem ama pode ter ouvidos / capaz de ouvir e de entender estrelas”... (Olavo Bilac).


5 - Gosto da rima, mas sempre que uso parece forçada.

Se você reconhece isso, se não se sente à vontade, então não a use. A rima é um jogo de armar, precisa de encaixe exato; precisa parecer que nasceu apenas para ser usada ali por você naquele momento. Precisa fluir, precisa parecer natural e espontânea, em vez de mostrar que a poetisa ou o poeta ficou horas lutando para se sair bem... Há mais de cem espécies de rimas e dezenas de formas de utilizá-las nas estrofes, ou segundo o lugar que elas ocupam nos versos; mas é preciso praticar muito para se usar a palavra certa, no momento certo, no lugar certo e com a métrica certa.

 

6 - Evite sempre os chavões, nas rimas e nas metáforas.

Não ofenda duplamente a criatividade. Pessoalmente, gosto muito das rimas porque ajudam o processo mnemônico e porque, muitas vezes, criam ideias originalíssimas: duas palavras totalmente afastadas, em separado, que ao se aproximarem e juntarem pelo som, mostram que o mundo é holístico, que o todo é feito de partes, e que cada parte contém o todo. Porém, a escolha é sua. Apenas lembre-se que não é por você usar a rima que será a um poeta ultrapassado (leia-se Glauco Mattoso), nem por só usar versos livres que se transformará em um poeta atual. A ênfase precisa residir no vigor da mensagem poética.

 

7 - Nunca sei se meu poema está realmente bom ou pronto.

Você não tem insegurança de fazer um ovo frito, tem? Por quê? Porque você sabe a técnica e qual o ponto do ovo que você gosta. E sabe também quando não deu certo: seu ovo com gema mole espatifou-se e você teve de ativar o plano B: ovos mexidos muito bem temperados e empratados, que foram o o maior sucesso no seu jantar. O poema também é assim. É preciso aprendermos a escrevê-lo como um apaixonado, e lê-lo como se fôssemos um crítico antipático. Ninguém nasce sabendo. A autoconfiança vem do conhecimento dos seus pontos fortes e fracos, que se refletem no texto, queira você ou não. Só você conhece quando o poema está pronto, no ponto. Para isso, precisa ler em voz alta, ver se a cronologia das frases está bem construída, ou se você deve mudar a ordem dos versos, começar pelo meio ou pelo final de sua narrativa, fazer certo suspense ou avançar com uma linguagem direta. Deixar o texto redondo, sem arestas. Bem costurado. Como Rita Lee escreveu: “Brinque de ser sério, leve a sério a brincadeira”. Saiba, porém,  que você está lidando também com leitores desconhecidos, diferentes de você: respeite todos os pontos de vista e pergunte-se sempre, sinceramente,: “o que este poema agrega a quem não conhece a mim ou à minha obra? E a resposta pode impressionar você.  Voltarei ao assunto na aula em que abordar a crítica e a autocrítica de seu texto poético. E, pasme: crítica e autocrítica se adquire com leituras profundas.



Na próxima aula, falarei de um assunto delicado, talvez o pior de todos os nossos bichos-papões: se poucos me leem para quê escrever? Divulgação e venda. Você sabe para quem você está escrevendo? Você está construindo alguma estratégia ou está esperando ter público através de algum milagre?

 

 

APLICAÇÃO PRÁTICA:

Faça algum dos exercícios (se possível todos) propostos nas imagens que estou anexando a esta aula,

Encontre uma fotografia que fale do silêncio e esboce uma frase ou um poema sobre o tema.

Escolha três fotos e faça uma narrativa em que elas possam estar presentes, encadeadas.

 

 

Sugestão para exercícios complementares:

Escrita criativa: 100 exercícios práticos e divertidos para ativar a sua criatividade Folha solta (Livro

caixinha de folhas soltas): Juliana De Mari e Mauricio Oliveira. São Paulo: Editora Matrix, 2019. 

Tando palavras que se refiram ao conteúdo do poema, mesmo que indiretamente, em sites como: Dicionário Informal, Rhymit, Dicionários de Rimas on-line, de Sinônimos e Antônimos, sites de palavras antigas, etc. Não se acanhe em consulte os dicionários de rima, mesmo que seus poemas não sejam rimados – o intuito aqui não está na rima, mas em alguma ideia relacionada ao seu poema que possa surgir durante a leitura. Este tipo de busca pode propiciar também excelentes conexões. c) De novo, use a técnica do brainstorming: no meio à tempestade de ideias, alguma pode lhe ser útil. D) Pense na mensagem de seu poema de forma não convencional e caminhe nesta direção. Importante é que entenda que o título compõe o poema, então não o desperdice nem o mutile Poesia criativa precisa de títulos criativos também, con.

 

 

4 – Intitular e começar eu sei, só não sei finalizar.

Igual ao título, pense em surpreender o leitor, em algo inusitado, em alguma associação, mesmo que distante, mas que leve o leitor a compreender melhor ao final da leitura o sentido do poema,.  O desfecho é tão importante, que, em soneto, fala-se em fechá-lo com chave de outro – porque é o final que faz, como disse anteriormente, com que o leitor aplauda ou rapidamente esqueça o que leu. Pessoalmente gosto dos finais impactantes, porque, minha poesia caminha por esta trilha. Mas não precisa ser bombástico. Precisa ser é criativo. “Pois só quem ama pode ter ouvidos / capaz de ouvir e de entender estrelas”... (Olavo Bilac).


5 - Gosto da rima, mas sempre que uso parece forçada.

Se você reconhece isso, se não se sente à vontade, então não a use. A rima é um jogo de armar, precisa de encaixe exato; precisa parecer que nasceu apenas para ser usada ali por você naquele momento. Precisa fluir, precisa parecer natural e espontânea, em vez de mostrar que a poetisa ou o poeta ficou horas lutando para se sair bem... Há mais de cem espécies de rimas e dezenas de formas de utilizá-las nas estrofes, ou segundo o lugar que elas ocupam nos versos; mas é preciso praticar muito para se usar a palavra certa, no momento certo, no lugar certo e com a métrica certa.

 

6 - Evite sempre os chavões, nas rimas e nas metáforas.

Não ofenda duplamente a criatividade. Pessoalmente, gosto muito das rimas porque ajudam o processo mnemônico e porque, muitas vezes, criam ideias originalíssimas: duas palavras totalmente afastadas, em separado, que ao se aproximarem e juntarem pelo som, mostram que o mundo é holístico, que o todo é feito de partes, e que cada parte contém o todo. Porém, a escolha é sua. Apenas lembre-se que não é por você usar a rima que será a um poeta ultrapassado (leia-se Glauco Mattoso), nem por só usar versos livres que se transformará em um poeta atual. A ênfase precisa residir no vigor da mensagem poética.

 

7 - Nunca sei se meu poema está realmente bom ou pronto.

Você não tem insegurança de fazer um ovo frito, tem? Por quê? Porque você sabe a técnica e qual o ponto do ovo que você gosta. E sabe também quando não deu certo: seu ovo com gema mole espatifou-se e você teve de ativar o plano B: ovos mexidos muito bem temperados e empratados, que foram o o maior sucesso no seu jantar. O poema também é assim. É preciso aprendermos a escrevê-lo como um apaixonado, e lê-lo como se fôssemos um crítico antipático. Ninguém nasce sabendo. A autoconfiança vem do conhecimento dos seus pontos fortes e fracos, que se refletem no texto, queira você ou não. Só você conhece quando o poema está pronto, no ponto. Para isso, precisa ler em voz alta, ver se a cronologia das frases está bem construída, ou se você deve mudar a ordem dos versos, começar pelo meio ou pelo final de sua narrativa, fazer certo suspense ou avançar com uma linguagem direta. Deixar o texto redondo, sem arestas. Bem costurado. Como Rita Lee escreveu: “Brinque de ser sério, leve a sério a brincadeira”. Saiba, porém,  que você está lidando também com leitores desconhecidos, diferentes de você: respeite todos os pontos de vista e pergunte-se sempre, sinceramente,: “o que este poema agrega a quem não conhece a mim ou à minha obra? E a resposta pode impressionar você.  Voltarei ao assunto na aula em que abordar a crítica e a autocrítica de seu texto poético. E, pasme: crítica e autocrítica se adquire com leituras profundas.



Na próxima aula, falarei de um assunto delicado, talvez o pior de todos os nossos bichos-papões: se poucos me leem para quê escrever? Divulgação e venda. Você sabe para quem você está escrevendo? Você está construindo alguma estratégia ou está esperando ter público através de algum milagre?

 

 

APLICAÇÃO PRÁTICA:

Faça algum dos exercícios (se possível todos) propostos nas imagens que estou anexando a esta aula,

Encontre uma fotografia que fale do silêncio e esboce uma frase ou um poema sobre o tema.

Escolha três fotos e faça uma narrativa em que elas possam estar presentes, encadeadas.

 

 

Sugestão para exercícios complementares:

Escrita criativa: 100 exercícios práticos e divertidos para ativar a sua criatividade Folha solta (Livro

caixinha de folhas soltas): Juliana De Mari e Mauricio Oliveira. São Paulo: Editora Matrix, 2019.

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